quarta-feira, 4 de março de 2009

Cultura de Surf Açoriana II

Porto Pim, num dia "clássico"
Estive algum tempo à espera das reacções à minha última participação e a digeri-las. Penso que há condições de dar continuidade ao debate. Quero também manifestar o meu pela cordialidade empregue na maioria dos comentários, sabendo que estamos a tentar abordar assuntos sensíveis para os corredores de vagas. Se o texto falava em cultura de surf, procurando afirmar que esta se cultiva quotidianamente, temos que assumir que a forma como participamos nestes blogues também contribui para a sua consolidação. Nos primeiros anos em que fiz surf no Faial, durante a década de ’90, havia cerca de 10 a 15 pessoas a correr vagas na ilha e frequentávamos um número mais reduzido de spots que hoje em dia. Não havia discussões sobre localismo nem sobre prioridades dada a escassez de gente e de ondas, simplesmente não encontrávamos necessidade para isso. Tínhamos na altura, com tenho hoje, a noção de que esta ilha, apesar de ter ocasionalmente umas ondas boas, tem muita falta de consistência e sobretudo falta de um spot acessível e consistente propício para a evolução de base do surf. Cerca de 2000 / 2001 tivémos um bodyboarder visitante que ficou por cá 2 ou 3 anos a viver. Foi bem recebido, como toda a gente é, por regra geral, nestas ilhas, e em particular cá que temos poucas ondas e dificuldades em evoluir e gostamos de ser visitados por gente com mais prática e com experiência a transmitir. Dada noite no Peter, conversei com o tal indivíduo pela primeira vez fora da água e embrenhámo-nos logo numa discussão (pacífica) devida a um choque de ideias inesperado. Ele começou a dizer (de forma um pouco impositiva) que já tinha apanhado boas ondas na ilha e que não dizia a ninguém nem mostrava as fotos, nem aos seus amigos sob pena de virem os “cromos todos do continente” por aí abaixo para destruírem tudo isto, etc. Eu fiquei completamente surpreendido com aquilo, uma vez que tinha a noção de que o Faial não é uma grande ilha de surf, nem sequer no contexto desta região, que nunca vi ninguém de visita ao Faial com o propósito de fazer surf, nem imagino isso a acontecer facilmente. Enfim colidimos ali, e ficou assim. O tipo em questão acabou por se dar mal algum tempo mais tarde, em particular por ter tentado impedir alguém de filmar ondas em dado dia na Conceição, supostamente falando em nome dos locais... O tempo passa, o surf divulga-se e vai crescendo um pouco por toda a parte, inclusivé nos Açores, e a verdade é que aqui no Faial, 15 anos depois de ter começado a surfar continuam a ser 10 a 15 pessoas na comunidade de vagas e que só se encontram todas na água no melhor dia do ano dos poucos spots mais conhecidos.
Reordenamento do Porto da Horta, o contra-molhe
Agora reflitamos: numa ilha com 15 corredores e poucas vagas corríveis, que capacidade teremos para isoladamente promover a nossa actividade a fim de defender os nossos spots? Não nos podemos esquecer da realidade própria de cada ilha, que ainda é mais peculiar e diversa quando cruzada com a realidade do surf. Mesmo na Terceira, onde há algumas dezenas de corredores de vagas, muitos mais que cá, quando quizeram defender o Terreiro e Santa Catarina tentaram reunir o esforço conjunto das outras ilhas e de outras paragens através de um abaixo-assinado que circulou por e-mail.
Praia da Conceição, com ondulação Norte, uma onda rara e possivelmente a mais negativamente afectada pela obra do porto...
E nós também começamos a ter problemas concretos por cá... Vai arrancar neste mês de Março a obra de reordenamento do Porto da Horta, com a construção de um contra-molhe que enraizará na Praia da Conceição. As ondas desta praia, quer de ondulação Norte, quer de Sul, serão para sempre afectadas por esta obra. Para melhor, para pior... não sabemos. Mas sabemos que isso não foi contemplado no estudo, porque O SURF NÃO EXISTE PARA ESTA SOCIEDADE LOCAL. E nás não nos conseguimos mobilizar para ter uma palavra a dizer sobre isto. E dificilmente o poderíamos ter feito com os tais 15 macacos... que nem sequer conversam sobre isto nem, muito menos, estão unidos.
Spank the Monkey, a onda junto à vigia do Pasteleiro.
Ultimamente ouvi falar de uma obra de requalificação no Pasteleiro, trecho de costa entre a fábrica do peixe e a vigia junto ao Castelo de São Sebastião. Trata-se de uma zona de traseiras de lotes voltadas ao mar com acomulação de lixos e despejo de esgotos, enquadrada na Paisagem Protegida do Monte da Guia, onde nós surfamos duas ondas e que precisa de uma requalificação, de facto. Mas daí ao projecto efectivo... podem ser muitos os resultados. E se pretenderem alargar o passeio marginal ali, fazendo um quebra-mar como em São Mateus na Terceira? A ilha já tem poucas ondas, sem serem de grande qualidade, tornam-se um bem ainda mais precioso para nós, pela escassez. Temos que afirmar a sua presença, que ali há surf, que nós frequentamos aquele sítio e disfrutamos dele. É, de facto fundamental criarmos fóruns de debate para os surfistas e denominadores comuns para agregar a tribo e permitir termos mais presença nas decisões que também nos dizem respeito. Aqui há tempos li no blogue da COCOVAMA num debate que se seguiu à carta do Team Nike de Surf, contributos interessantes do Quim, do Pico, e do Vítor, de São Jorge. O Vitor em particular por chamar a atenção para o facto de os problemas se porem de formas diferentes nas ilhas maiores e nas menores e por acreditar no surf como actiividade de promoção da sua ilha. O Quim, por se referir à aposta num turismo diferenciado. Então como é que é? As ilhas querem apostar num futurta que passa necessariamente pelo turismo e os surfistas são os tipos que não querem gente de fora nas ilhas? As ilhas precisam de gente, sobretudo as 7 menores, e não só de visitantes sazonais, mas também de serem atractivas à fixação de pessoas de fora. Das pessoas que estudaram comigo no Faial, uma quantidade significativa partiu para prosseguir estudos e não voltou. Eu incluo-me num grupo limitado de gente que regressou à sua ilha, e no meu caso a relação próxima com o mar foi uma componente forte da escolha. Felizmente temos cá o DOP e agora o curso de operadores marítimo-turísticos, que vão trazendo gente nova, que vão substituindo os de cá que não voltaram. Este mundo contemporâneo é feito muito por esta circulação de gente. Alguns ficam apenas umas temporadas, outros vão-se fixando, com alguns não me dou tanto, outros tornam-se amigos e até companheioros de surfada. Penso que este não é um arquipélago paradisíaco de surf, pelo menos no mesmo sentido em que o são as mentawais e afins. Tenho no entanto a certeza de se tratar de ilhas paradisíacas de usofruto do mar e do território de uma forma menos específica. E isto constitui um chamariz de pessoas para cá e que é importante. E penso que os surfistas não podem querer estar contra isso. Esta visão do secretismo tolda-nos o espírito. Lembro-me de ter tido conversas com companheiros de ondas sobre a construção de um parque de campismo na Fajã da Caldeira e de ter visto reacções como: “epá isso só vai trazer mais gente”. Isto não pode ser. Vou à Caldeira há alguns anos e sei bem que a frequência de campistas tem aumentado, sobretudo no verão, e que nem todos são grupos de surfistas. Ora nos tempos em que havia uma ou duas tendinhas o pessoal ia-se arrumando discretamente, com a boa vontade dos locais, vivendo o sonho do campismo selvagem. Mas havendo 50 ou 60 tendas o sonho vira pesadelo! São as marcas das fogeiras e das tendas espalhadas por todos os terrenos de pasto, o lixo espalhado pela fajã, a falta dos balneários, a perda da paciência dos locais e a degradação do ambiente geral... Como surfistas, temos de contribuir para soluções eficazes e equilibradas e afirmarmo-nos como um grupo social consciente, activo e integrado nesta sociedade. Uma comunidade com consciência de si e que não vê as coisas apenas por um ponto de vista exclusivo, mas que sabe enquadrar a sua presença num meio mais alargado.

19 comentários:

xico ze disse...

tenho pena do dia em que te venhas a arrepender de teres divulgado as ondas açorianas, no dia em que chegares a praia e ao olhares para o mar vires que "sao mais qu'as mães" os que la estao dentro, a dropinar tudo e todos, a desrespeitar os que la surfaram desde pequenitos e a largar lixo pela praia fora, ai vais perceber o que estou a dizer, ate la aproveita e curte ao maximo. nao digo para proibirem os continentais de surfarem ai, mas imponham uma cultura de respeito logo desde inicio, e criem um espirio de uniao muito forte entre voces, senao as consequencias vao ser tristes. e quem vai sofrer mais sao voces

Miguel disse...

A ideia de que os "forasteiros" vão "dropinar tudo e todos, a desrespeitar os que la surfaram desde pequenitos e a largar lixo pela praia fora" é estar a generalizar uma questão que não pode ser generalizada. Eu sou do continente, visito as ilhas dos Açores com alguma regularidade e nunca dropinei ninguém, nunca deixei lixo na praia e nunca faltei ao respeito com ninguém. Ja visitei as ilhas na companhia de alguns amigos e posso garantir que ninguém dropinou ninguém, ninguém deixou lixo para o chão e ninguém desrespeitou nenhum local. Sou da Ericeira, o crowd é uma constante, os locais são muitos, e sei que ha pessoal visitante que dropina, deixa lixo, desrespeita, mas também sei, que na sua maioria, o pessoal não é assim. Aqui, onde o crowd é uma constante e ás vezes fico irritado, mas nunca ousaria proibir alguém de surfar, de frequentar a praia e de interagir com os locais, porque não tenho esse direito. Mas não hesito em avisar os que metem o lixo para o chão, os que dropinam, os que desrespeitam, e sabem, o efeito é muito positivo, é que às vezes basta avisar os mais desatentos que o mundo é de todos e todos o devem respeitar. Experimentem fazer isso, avisar... É claro que às vezes nem com mil avisos o burro pára, mas aí, aí sim, aí é como o Tiago Correia referiu no seu coment há uns dias, aí partimos para outro tipo de diálogo. Mas sabem, é tão raro chegar a esse ponto de situação, o primeiro aviso custuma bastar. É assim que se combatem as faltas de respeito, os dropinos, o lixo no chão, com civismo, e não com proibições. E depois, serão os surfistas os que mais poluem? e as hordas de turistas que todos os anos invadem as ilhas, o continente, o mar e a terra?
Ainda podia falar da questão da evolução (porque as visitas de surfistas melhores que nós também servem para isso), da protecção das ondas - como refere o João no seu coment há uns dias "onda conhecida é mais facil de preservar" e isso é mais importante que tudo o resto, bem, podia falar sobre imensas questões, mas vou apenas dizer ao Pedro Garcia, autor do post, que partilho completamente das suas ideias e este debate vai fazer muito pelo surf aí. A todos voçês, quando quiserem visitar a Ericeira, contem com o meu respeito, e eu sei que 99% de voçes vao tomar a mesma atitude que eu quando aí estou...respeito pelo lugar e pelas pessoas.
Abraço,
Miguel Almeida

Anónimo disse...

Sou Açoriano e quando vir os autores deste blog vou-lhes dar uma liçaozinha para aprenderem a tar calados envez de se auto-promoverem á custa os outros!!!! Açores Sem Crowd.

Vigia disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
manuel bastos bettencourt disse...

n vais nada por isso é q és anónimo.....

João Silva disse...

Por lapso meu retirei o comentário do Vigia, mas consegui recupera-lo no meu mail.


Vigia deixou um novo comentário na sua mensagem "Cultura de Surf Açoriana II":

Uma das pricipais bases da Cultura de Surf Açoriana é a máxima: "Surfa e guarda apenas na tua memória as ondas que encontrares". Esta máxima é aceite pela maioria dos locais e também por quem visita a região. Trair esta máxima é trair a Cultura de Surf Açoriana. Quando isto é feito por pessoas de fora é mau, mas pior será quando os protagonistas são ditos locais. Neste sentido faialsurf = TRAIDORES.
Ao que parece o desagrado por este blog começa a ser generalizado, o que faz dos seus autores pessoas indesejadas. Existem outros blogues açorianos que falam de surf mas sabem respeitar a tradição da não divulgação apenas com o objectivo de autopromoção. Este blogue é o oposto ao espirito da Cocovama e de todos os corredores de vagas. Na realidade o que estes dois aprendizes de feiticeiros cujo nivel a surfar, a ver pelos filmes que fazem, é muito baixinho querem é protagonismo. Poderiam ficar conhecidos por surfarem bem, ou por qualquer outra coisa mas a unica fama que vão ter é a dos PIRATAS que trouxeram para o grupo central pessoas que não interessam a ninguem. Ha traiçoes que custam caro e esta vai ser uma delas!



Publicada por Vigia em Faialsurf a 5 de Março de 2009 18:51

Anónimo disse...

O Vigia tem toda a razao. Açores Sem Crowd!

António Cruz disse...

Ahh, "traidores, piratas, saqueadores..." a culpa é deste blog!! Se amanha não houver ondas...a culpa é deste blog. Se a minha mulher me deixar...a culpa é deste blog...
"Ao que parece o desagrado por este blog começa a ser generalizado, o que faz dos seus autores pessoas indesejadas" Generalizado? porquê? tu e os teus amigos não gostam? e ja agora, anonimos, vigias e Cia...ja algum dia sairam de casa? ja algum dia pegaram numa prancha e foram surfar para outro lugar? ja o fizeram sozinhos? não sei porque mas acho que o deveriam fazer...faz bem a mentes como as vossas, antigas..tristes..fechadas(!) Sabem, eu até acho o blog bastante interessante, e ainda vos digo mais, nas proximas férias pretendo visitar a ilha do faial...sozinho, com a minha prancha, com humildade na bagagem..e com muita vontade de fazer amigos, algo que sempre cumpri em qualquer dos (muitos) sitios para onde ja viajei. Antigamente também era assim, como o vigia, anonimos e Cia, antes de sair de casa era assim...quando tinha 18 anitos, mas depois...cresci e aprendi, viajei, fiz amigos...
Este blog é e facto muito interessante, não deixem que a P.I.D.E o feche, porque ela anda mortinha para o fazer. Se não puderem viajar, arranjem uma mulher, às vezes também resulta (eu sei do que estou a falar).
Nivel de surf? Só as mentes abertas evoluem num bom sentido, desculpem, mas é a verdade. 3 ou 4 rapazotes, amigos, com niveis de surf idênticos, a surfarem num sitio onde não querem mais ninguém...pah, sou o melhor da minha onda, UaU!a seguir é o anonimo das 08:30, depois o Vigia e por ultimo o anónimo da hora de almoço... não me parece...talvês um dia...quando sairem de casa.
bjos e abraços

Tiago disse...

acho que o anónimo e o Vigia ainda vão dar o nó

Tito disse...

E quando vieres António Cruz ainda te vais te rir mais destes anónimos! Quando estão assustados com o aumento do crowd. Sou da Terceira e felizmente devido à minha profissão tenho viajado por algumas ilhas dos Açores. Até mesmo em São Miguel tive imensos dias que surfei sozinho e a maioria das vezes tinha que combinar com malta para não correr o risco de entrar sozinho. Houve anos em que era o único surfista na ilha e companhia só mesmo aqueles que vinham de fora. Imagino que esses anónimos se tivessem essa sorte nem na água entravam, apenas quando recebiam gente de fora para dizer que eram locais. Estou actualmente na ilha em que muitos gostam de a apelidar como o Paraíso e tenho tido meses em que não surfo 1 dia e no maximo por mês devo ter sido por volta de 6. Atenção que isto não tem vindo a acontecer por incompatibilidade, mas sim porque simplesmente não mexe e por na maioria das vezes estão com condições que podem encontrar em qualquer outra ilha ou região.
Isto para dizer que os Açores nunca serão um destino turístico de surf por excelência pois ninguém quer gastar dinheiro para apanhar ondas com a qualidade das que podiam ter apanhado em frente de casa ou então trazerem as pranchas e afins e pensar que deviam ter trazido era o material de mergulho.
Boas Ondas para todos!!

Anónimo disse...

Tambem sou Açoriano e quando vir o Anónimo junto me aos Autores deste blog para ver qual é a liçaozinha que ele que dar. Quem se quer auto promover (para o único Local) é o Anónimo! Açores com gente inteligente!!!

João Silva disse...

Paz …Amor…e muito surf.

Quando toda esta troca de ideias começou já sabia que era um assunto que ia levantar muita poeira , quero que tentem ver que aqui não está ninguém para lapidar nada nem por protagonismo nem para ser campeão do mundo em particular!!!muito menos da minha rua em geral!!! O que este blog tenta ser é um espaço de partilha de experiencias e histórias que vão acontecendo aqui no canal, nunca foi nossa intenção e acho que não fazemos a dita divulgação do grupo central, aliais basta dar uma vista de olhos pelos blogs que se encontram enumeras histórias de sessões clássicas que vão acontecendo um pouco por todo o arquipélago, o que acho óptimo, porque desperta em mim a vontade de sair da minha rua e de ir conhecer outros bairros... as ondas que aqui publiquei e não identificadas são exclusivamente aqui do canal e como dizia um surfista do pico que só de surf deve ter quase tanto que a minha idade, é que nós aqui no canal não precisamos de ter receio de isto se tornar num circo aquático, as ditas fotos são sim um incentivo á descoberta e a aventura, e a todos os que por cá passaram e que tive o prazer de conhecer e de partilhar as nossas vagas com certeza que saíram de cá com a mesma sensação que eu . Ainda bem que faço surf e de ter a possibilidade de partilhar a experiencia única que é deslizar numa parede em movimento constante.

Boas ondas a todos…

Luís Machado disse...

Belo comentário Johnny, mai nada!!!

Pelágico disse...

Só para deixar uma sequência de palavras que todos gostam:
Tubos,
amigos na água,
ondas no verão e água morna,
cerveja fresquinha depois da surfada (com os amigos e amigas),
1,5m perfeito.

Faço um apelo a boa energia...
e boas ondas.
Quem não conhece os açorianos e as ondas das Ilhas poderá pensar que vivemos numa espécie de CDS-costa da Caparica e Carcavelos (num domingo de verão) com um toque de Mumbai (India, 23088hab/Km2)com Iraque e Korea do Norte (chiça).

Partem ondas todos os dias sem ninguém por perto,
buga apanhar umas...
Força na guelra

Anónimo disse...

Nunca na vi iria gastar uma pipa de massa para ir exclusivamente ao grupo central (ou qualquer outro) apanhar ondas, ha dezenas de locais no mundo em quem disponha de 10 dias de ferias não arrisca nada, nos açores arrisca-se a 10 dias a apanhar bonés ... Não quero com isto dizer que uma ida aos açores esteja fora de causa, obviamente pra um amante do mar que queira varias opçoes, os açores são uma hipotese, caça, surf, pesca, descanso, etc tudo junto pode ser um paraiso e um mar de possibilidades.

Foi um amigo que me alertou para este forum dizendo, olha lá as vezes apanha-se umas ondas nos açores.

Vi este topico e li os comentários, é um profundo desagrado para um amante do mar ver estes comentários, é de uma mesquinhez atroz o que se lê aqui, é uma vergonha para o surf e para o mar ler estes pseudo localismos, evoluam e respeitem todos.

Quem já surfou em quase todo o mundo e nunca foi mal tratado, ver isto cá dentro é uma vergonha...

Ao autor deste blog os meus parabens, e que continue na boa onda.

Um abraço do continente (algures na ericeira) de alguem que ja surfou quase todos os grandes spots deste planeta, pipe, jaws, teahupo, los lobos, mavericks, shipsterns, bundoran, chorrillos, jeffreys bay, bali, etc etc

Joao Monjardino disse...

Há uma razão muito simples que dá origem ao anonimato. Os anónimos são pessoas comprometidas. São comprometidas porque, como todos sabemos, já partilharam fotos de muitos locais com amigos ou outros, já fizeram e vão continuar a fazer ondas ondas em vários locais de várias ilhas mas não querem ser reconhecidos como os tais ferozes localistas do teclado que prometem cacetada a tudo e a todos. É que pela sua filosfia só poderiam fazer surf em casa mas babam "pelas ondas dos outros". Nunca vão dar cacetada porque o disfarce cai nesse momento e quem ameaça anonimamente não tem coragem para se mostrar. Nem todas as ondas dos Açores estão ameaçadas, isso é verdade. Mas várias ondas vão cair em desgraça até 2016 e em várias ilhas. Acreditem todos no seguinte: quando o betão chegar às vossas/nossas ondas muito anónimo vai passar a ter nome porque quando as ondas acabam de vez só resta mesmo o nome de que teve a sorte de as sentir. Para os mauzões de pacotilha ficam aqui os nomes das ondas terceirenses que por acaso ainda não morreram mas estão em coma prolongado... todas secretas, claro: Santa Catarina, Direitas da Praia, Esquerda do Chinês, Baixa, Vietnam e Terreiro de São Mateus... só na terceira são 6 (SEIS!!!). Quando a desgraça chegar aí, mesmo que não tenham feito um corno por estas ondas em que tambem já andaram, gritem bem alto que até se ajuda mas sejam homenzinhos e digam primeiro o nome!

TRUFAS disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Da vontade de rir alguem pensar que os açores vao se tornar um spot de surf a nivel internacional (era a vossa sorte). Esqueçam essa ideia absurda, juntem-se todos e divulguem ao maximo as ondas que puderem, senão um dia quando for necessário força para parar algo, não passam de uma cambada de gangzitos de praia.

O betão vai vos arrumar a todos com uma pinta que nem imaginam ;) , sejam espertos e divulguem ao maximo, só nesse dia terão força e serão alguem respeitados como comunidade.

Deixem para voçes aquele cantinho especial todos nos gostamos do nosso, mas entre ter o dobro de gajos da actualidade ou não ter local pra surfar, prefiro a primeira. Já vi acontecer tanta vez...

Paulo

Ass: Esse menino anónimo 3 mensagens acima esqueceu-se dos melhores spots do mundo :D coxos,reef, cave, ou muito me engano ou deve andar a descansar da sova que levou na gold coast eheheh
Fiquem bem menino

Oph DeWaal disse...

Primeiro quero dizer que gostei bastante deste blog. É interessante ler sobre uma maneira de ver o surf diferente da nossa, brasileira, mais precisamente carioca. Segundo, deixem essas versões anônimas e mal-acabadas de 'black trunks' pra lá, não valem o esforço.

Por último, a questão das ondas. Se vocês encontrarem motivos fortes que não o fim das ondas, (impacto ambiental, ecológico, etc.) talvez consigam algo. Por aqui temos centenas de milhares de surfistas, mas pouco é conseguido em favor da natureza de um modo geral, quanto mais se defendermos somente as ondas.
Eu sei que de fora é fácil falar, mas isso foi apenas uma idéia.

Sucessos a todos [à exceção dos valentes anônimos]